A ida para a escola

A ida para a escola

Mãe/Pai salvem-me, venham buscar-me!

Esta é a mensagem que os corações dos pais sentem ao olharem para os filhos nos primeiros dias de ida para a escola, podemos mesmo dizer, que em algumas situações, este sentimento perpetua-se ao logo do ano letivo, e em alguns casos transita de ano juntamente com as crianças.

Uma etapa na vida de uma família, que pode causar uma mistura de emoções, por vezes não muito agradáveis. Mas qual o motivo deste momento ser tão doloroso?

Escolhemos a escola, acreditamos no modelo educativo, falamos com a educadora, sentimo-nos bem naquele espaço, gostamos até da ementa escolar, vemos outras crianças tão felizes, e parece que estamos a torturar os nossos filhos ao termos de os lá deixar.

Somos dominados pela ansiedade, no momento da separação. Sofremos com antecedência e sem sabermos, estamos a transmiti-la aos nossos filhos.

Se já é normal as crianças por volta dos oito meses sentirem angústia de separação dos progenitores, o terem de sair de um espaço (que em muitas situações o único que frequentam) seguro e conhecido, com o seu conforto, para um local maior, com caras, barulhos e cheiros diferentes, causa alteração no equilíbrio da criança.

Sendo normal e saudável a manifestação à mudança, ou seja, o choro nos primeiros dias, semanas ou até mesmo meses, são a maneira saudável da criança nos explicar que está a sentir a mudança.

Assim como o choro na recolha, não pense que a criança esteve em sofrimento o dia todo, mas quando nos vê ao final do dia, manifesta através das lágrimas e de algum choro a mistura de emoções que vivenciou durante o dia.

Faça o processo de adaptação à escola disponível da instituição que escolheu.

Confie, eles são especialistas, mas não deixe de partilhar as suas dúvidas ou inseguranças.

Preparemos as nossas crianças, com um relato de véspera verdadeiro, sempre repetido e consistente, de que irá para a escola, que o dia será feliz, que brincará com os amigos, que a educadora e a auxiliar estarão lá para o ajudar. Se possível envie o brinquedo preferido, para dar um suporte emocional extra.

Certifique a criança que o irão recolher ao final do dia e que vão regressar a casa, “o pai/mãe agora vão trabalhar, quando terminarmos vamos todos para a nossa casa”.

Na altura de deixar a criança na escola, não torne o tempo de despedida demasiado extenso. Seja confiante e seguro, tranquilize! Faça o momento da entrega com alegria, mesmo que tenha de retirar de dentro de si um desempenho digno de óscar.

A escola é um bem necessário, um aliado ao nosso dia a dia, um fator determinante no desenvolvimento das competências da criança.

Verbalizações (in)evitáveis

Verbalizações (in)evitáveis

Ninguém conhece um filho como os pais. Vamos alargar a definição de pais, para quem cuida com o amor que as crianças merecem.

Apesar de virem sem manual de instruções para nos ajudar a entendê-los, especialmente em momentos complicados, tentamos e lutamos diariamente para tornar a sua vida sempre mais feliz.

São conquistas feitas com amor incondicional, mas que pode desgastar-nos.

Quando pensamos que temos tudo dominado, crescem, ficam absorvidos pelas hormonas da adolescência e tudo recomeça, mas a adolescência fica para um próximo texto.

Mas para todos existe um caminho de descoberta. Os primeiros filhos são caixinhas de surpresa, que tentamos identificar e classificar com características dos pais.

Aos avós que só encontram coisas boas vindo do seu lado genético, ou os que reconhecem as traquinices que os seus próprios filhos os fizeram sofrerem há tantos!

Comparar é normal? Sim, claro que sim. Ocorre em todas as casas, mas as crianças são todas diferentes.

Comparações entre irmãos são menos divertidas. O importante é não verbalizar, em especial em momentos de tensão! olha como a tua irmã se porta bem, e tu sempre com disparates!”, “o teu irmão é um despachado e tu sempre assim mole”.

Frases que marcam para uma vida inteira e que podem alterar a nossa autoestima e prejudicar o nosso autoconhecimento.

Cada criança tem as suas características, os seus gostos, as suas aptidões e as suas vontades. Não vamos ser extrovertidos ou tímidos só porque o nosso irmão o é, não vamos ser todos excelentes atletas, não vamos todos ter jeito para a música, dança, pintura e afins. E mesmo que tenhamos jeito para determinada coisa, não quer dizer que nos dê prazer.

Vamos reconhecer que felizmente não somos famílias de anúncio televisivo, ou de páginas de Instagram, que emanam perfeição, numa sequência de gargalhadas e sorrisos, de roupa sem nódoas perfeitamente engomada, de quem não veio cansado do trabalho, fez jantar, deu banhos, estendeu roupa, arrumou brinquedos espalhados por todo lado e ainda reviu trabalhos de casa.

Somos pessoas reais, que vivem a vida real, com problemas reais, e que em situações de tensão, dizemos coisas não sentidas, ou que temos noção que não são corretas. Fazemos comparações, nem que seja nos nossos pensamentos mais profundos.

Comparar, devemos apenas fazê-lo com os marcos de desenvolvimento, isso sim é importante. Saber se a cada passo do crescimento dos nossos filhos, precisam ou não de mais ajuda, de mais estimulação.

 

Entre irmãos as comparações são inevitáveis, a verbalização essa sim é evitável!

 

Ecrãs

Ecrãs

Numa altura em que a tecnologia está (felizmente) ao acesso de qualquer um de nós, temos de encontrar um ponto de partida a que chamamos de ecrãs. Ecrãs são todos os objetos que emitem imagens com emissão de radiações ultravioleta e luz azul artificial.

Nestes vamos englobar, monitores de computador, telemóveis, tablets, televisões, consolas de jogos (portáteis ou não).

Mas quanto tempo é demasiado tempo quando falamos da exposição aos ecrãs.

A OMS é clara quanto às recomendações de exposição a ecrãs pelas nossas crianças, dos zero aos dois anos, zero horas de exposição, dos dois anos aos oito anos, uma hora diária.

Severos na sua recomendação? Nada disso!

A exposição a ecrãs fora destes parâmetros definidos pela OMS, tem consequências várias. Insónia, stress, ansiedade, agressividade, incapacidade de lidar com a frustração, impulsividade, dificuldade na autorregulação, obesidade, atraso do desenvolvimento motor, atraso do desenvolvimento da fala e da linguagem, incapacidade de compreensão do discurso do outro, dificuldade em entender a troca e turno das conversas, dificuldade em entender a hierarquia de regras, falta de atenção e de concentração, problemas de visão entre outros.

De pequena esta lista não tem nada, assim como não lhe falta complexidade.

Mas qual a solução? Voltarmos às cavernas? Isolarmo-nos do Mundo? Óbvio que não, mas a premissa também não pode ser “se não os podemos vencer, juntamo-nos a eles”!

Regras saudáveis devem ser estabelecidas de antemão.

Aviso de quanto tempo podem, que a escolha tem de ser feita, entre desenhos animados ou séries na televisão ou um jogo no tablet. Que entre a visualização devem ser feitas pausas, com outras atividades intercaladas pelo meio.

O conteúdo deve de ser supervisionado, de nada nos serve, que crianças no pico do seu desenvolvimento de linguagem, vejam vídeos estrangeiros, dos quais não entendem nada, ou que simplesmente sejam feitos por outras crianças, que têm construção frásica, ou produção articulatória completamente errada, que induz ao uso incorreto de palavras e à construção frásica errada.

Os Ecrãs devem estar abolidos nas últimas duas horas do dia, para prepararmos a qualidade do sono, bem como a quantidade de horas que devem dormir.

Agora que as consequências do excesso estão identificadas vamos todos treinar o tempo ideal de exposição!

Chucha

Chucha

Objeto adorado por uns e detestado por outros!

     Mas afinal a chucha salva tudo, ou na verdade é uma vilã cruel?

Um pouco das duas opções, o importante é saber que chucha usar, quando usar e quanto tempo. Passos fundamentais para que tudo corra bem.

                Existem vários tipos de chuchas, das tradicionais às convencionais, de vários tipos de materiais como silicone e látex. Importa que a escolha da chucha seja feita de modo consciente, adaptada à idade da criança e à sua estrutura intraoral, bem como a necessidade de chucha terapêutica.

As chuchas devem manter a sua integridade estrutural, em caso de deformação ou corte, descarte-a. Devem ser lavadas e esterilizadas regularmente, quanto mais pequena a criança, maior a regularidade, e devem ser substituídas ao final de cada mês.

Apesar de não se dever introduzir a chucha nos primeiros dias de vida da criança, para que não haja confusão com o bico do seio materno, existem situações em que iremos utilizar a chucha como treino de sucção (sucção não nutritiva). Aguarde a instrução do pediatra relativamente ao tipo de chucha a adquirir.

Um dos grandes problemas da chucha, é quando esta se torna a única maneira da criança se autorregular. Esta falta de alternativas cria no uso da chucha uma dependência extrema.

   O tempo de uso deve ser pequeno, umas poucas sucções e a chucha sai do interior da boca.

            Mas qual a pressa? O uso contínuo e desregulado da chucha causa alterações respiratórias, otites, amigdalites. O uso da chucha sem controle, cria alterações intraorais, que muito resumidamente, provocam alterações no crescimento interno da boca, palatos altos e ogivais, alteração da posição da língua, mordidas abertas que causam alteração na oclusão dentária. As alterações de oclusão dentária, levam a alterações na mastigação, alteração na produção dos sons. E toda esta conjuntura leva a um atraso no desenvolvimento da linguagem.

Dosear é a chave, retirar completamente antes dos três anos é fundamental para um bom desenvolvimento.

A hora do desfralde

A hora do desfralde

Deixar as fraldas pode ser um momento simples numa família, ou por outro lado levar ao desespero.

Mas desde os 18 meses, as crianças estão fisiologicamente aptas a começar a deixar as fraldas.

O mais importante neste processo é estar atento aos sinais que a criança nos vai dando.

Ajudar e estimular!

Que sinais são esses? Se o seu filho mostras incomodo com a fralda, se se esconde para fazer as necessidades,  se verbaliza que vai fazer chichi, se quer ir consigo para a casa de banho, se já se coloca de cócoras, se já consegue retirar a roupa sozinho… esteja atento aos excelentes sinais que a criança já lhe dá.

Como podemos estimular? Incluindo a criança na rotina da casa de banho. Incluir um penico, ou adaptador de sanita e proporcionar tempo para estar sentado, adaptando-se ao espaço e à nova situação.

Questione se precisa de ir à casa de banho. Compre uma cueca divertida do seu super-herói ou do seu desenho animado preferido.

Temos de estar atentos ao tempo que já conseguem manter a fralda colocada e esta permanece seca. Não se esqueçam que a evolução é fantástica, e as fraldas são cada vez melhores, a fralda está mesmo seca, ou é de boa absorção?

Quando começar, não desista! Sabemos todos que dá trabalho, mas ajudar uma criança a desenvolver é uma fonte inesgotável de amor.

O desenrolar das emoções

O desenrolar das emoções

Angústias, medos, inseguranças, sentimentos que são inexplicáveis para as crianças.

Só sabem que sentem, sentem muito, mas não se sabem expressar.

Pela idade podem lhes faltar as palavras que definem corretamente o que sentem, ou mais naturalmente pela idade faltam as capacidades executivas para saberem lidar com o que sentem.

Funções que permitem ter controlo, ter capacidade de iniciação, de persistência, de esforço, de inibição, de regulação e auto-avaliação de ações ou tarefas e muitas outras.

O corpo cresce, as brincadeiras evoluem, assim como o cérebro as suas capacidades também se desenvolvem.
Tanto falamos de desenvolvimento, aceitamos os centímetros do crescimento, a mudança de ano escolar, o cair dos dentes, mas exigimos comportamentos para os quais as crianças e o seu cérebro ainda não estão preparados.

É por isso que em caso de bloqueio, uma crise de choro, um incómodo que não passa, é importante acolher com amor, parar o questionamento deixar a criança se reorganizar.

Confortar e garantir que está tudo bem,  decifrar os seus sentimentos e válida-los.
Parar, respirar e explicar!