Regresso às aulas

Regresso às aulas

Setembro chega sempre com aquele cheirinho a cadernos novos e lápis por afiar. O regresso às aulas é mais do que voltar à escola: é reencontrar amigos, professores e, claro, retomar as rotinas que ajudam miúdos e graúdos a viver o dia a dia com mais tranquilidade.

Antes de mergulhar de cabeça no novo ano letivo, vale a pena ir ajustando algumas coisas em casa. Comecemos pelo óbvio: telemóveis, tablets e horas de televisão. Não precisam de desaparecer como num passe de magia, mas devem ir perdendo protagonismo ao final do dia. Uma boa noite de sono é meio caminho andado para que as manhãs deixem de parecer maratonas olímpicas.


Outro ponto essencial é o das rotinas alimentares. Pequenos-almoços, lanches saudáveis e jantares a horas certas fazem maravilhas na concentração e no humor das crianças (e dos adultos também!). Quanto mais previsível for o ritmo da casa, mais fácil será o regresso às aulas sem birras de último minuto.

A ida às compras do material escolar pode ser uma ótima oportunidade para introduzir algumas novas regras familiares. Entre canetas coloridas e capas brilhantes, aproveitem para conversar sobre organização, responsabilidade e até sobre a importância de cumprir horários. Como diz o ditado inventado: o combinado não sai caro, nem cai do céu aos trambolhões.

E atenção: conversas intermináveis raramente resultam. Se até os adultos desligam ao fim de longos sermões, imaginem as crianças! O truque é manter o discurso curto, claro e adequado à idade.

Outro cuidado importante é não transformar a agenda da criança numa espécie de mapa de autocarros: cheia de paragens e sem tempo para respirar. Atividades extracurriculares são ótimas, mas o brincar também é fundamental e deve estar lá, de preferência em lugar de destaque.

E já agora, se possível, deixem um espacinho nobre na agenda para a Terapia da Fala. O progresso é maior quando há regularidade e quando as sessões não são empurradas para os cantinhos do tempo.

Com um pouco de preparação, uma pitada de humor e algumas regras bem combinadas, o regresso às aulas pode ser muito mais leve e até entusiasmante. Afinal, todos sabemos que a escola não é só aprender: é também crescer, descobrir e viver novas histórias.

O meu filho ainda não fala

O que é mais importante ensinar primeiro?

Quando uma criança ainda não fala ou fala muito pouco, é natural que os pais procurem todas as formas possíveis para estimular a linguagem.

No entanto, nem todas as estratégias são igualmente eficazes na fase inicial do desenvolvimento da fala.Uma das prioridades nesta etapa é ensinar palavras funcionais — aquelas que a criança pode usar no dia-a-dia para comunicar necessidades, vontades e sentimentos. Palavras como “água”, “mamã”, “papa”, “mais”, “não” ou “dói” são muito mais úteis para a comunicação do que, por exemplo, saber dizer o nome de todas as letras do alfabeto.

A linguagem serve primeiro para interagir e satisfazer necessidades básicas; o conhecimento académico, como letras e números, virá no momento certo.

Como ensinar palavras funcionais:

– Nomear sempre os objetos e ações durante as rotinas diárias (“Queres água?”, “Vamos pôr o casaco)- Repetir a palavra várias vezes em diferentes contextos- Usar frases curtas e claras.

– Dar tempo para a criança tentar repetir ou responder, sem pressão.

– Reforçar positivamente cada tentativa, mesmo que a palavra não saia perfeita.

O que evitar nesta fase:

  • Evite centrar-se no ensino precoce de letras, números ou soletração, especialmente se a criança ainda não comunica verbalmente. É mais importante que consiga pedir “água” ou “mamã” do que soletrar “A” ou “B”. Forçar aprendizagens académicas antes da hora pode gerar frustração e não contribui para o desenvolvimento funcional da linguagem.
  • Priorize a comunicação funcional e a interação diária. Use palavras úteis, canções e muito afeto. O alfabeto e os números terão o seu momento — mas as necessidades básicas de comunicação não podem esperar.

O poder das canções infantis e tradicionais:

  • As canções simples, com rima e repetição, são grandes aliadas no desenvolvimento da fala. Melodias conhecidas ajudam a criança a memorizar sons e palavras, estimulando a memória auditiva e a articulação. Além disso, cantar juntos fortalece o vínculo afetivo e torna o momento de aprendizagem mais divertido.

Como funciona a memória?

Vamos falar de memória, ou melhor do que aparenta ser a sua falta.

Todos nós já lidámos com a situação de explicar um exercício, regra, ou simplesmente pedir algo a uma criança, e como resultado aparentemente está tudo bem, mas nem cinco minutos depois parecer que nada lhe foi dito ou explicado.

Memória de peixinho de aquário? Má vontade? Explicámos mal? Mas afinal o que é que se passa com esta criança?

Imaginem que estamos numa pista de atletismo em prova de estafetas (aquela corrida onde passam o bastão uns aos outros, cedendo a vez na corrida), a pista é o nosso cérebro, e cada atleta é uma parte (área cerebral) envolvida no processo de transporte e de armazenamento da informação, e o bastão é a informação propriamente dita.

Mas este bastão deixou de ser um objeto sólido e fragmenta-se a cada passagem de mãos.
A cada passagem, cada corredor fica mais lento, e o bastão mais desfragmentado. Cada entrada de informação, tem de percorrer um caminho, que envolve vários circuitos cerebrais em simultâneo.
E isto não ocorre uma única vez, é um processo continuo e muito rápido. E cada atleta (área cerebral) está a correr em várias corridas em simultâneo com vários bastões (informações).

Então a falta de memória é por incapacidade? Nada disso!

Não se esqueçam que o esforço das nossas crianças é superior, e que cada corredor não fica apenas encarregue de assimilar, transportar e armazenar a nova informação, mas também tem de a correlacionar com a informação anterior, e ainda está ocupado em integrar neste processo todo, toda a informação afeta à codificação e descodificação das letras e sons, ou sons em letras.

Ou seja, ele não é incapaz, ele está sobrecarregado!
Este corredor com estes bastões que se desfragmentam, fica tão sobrecarregado, que para receber mais bastões e se manter na corrida, vai largando os bastões iniciais pela pista fora, mas não os passa aos seus colegas de equipe, nem os entrega no final da corrida. Ou seja, a informação fica perdida, ou não encadeada, apesar de termos terminado a corrida.

Uma maneira simples de perceber este circuito de informação, é solicitar à criança que nos confirme se entendeu o que lhe foi explicado, mas não podemos ficar por aqui, é necessário solicitar que nos diga o que entendeu, nas suas próprias palavras, passo a passo.

Neste momento de reconto de informação, podemos identificar o que foi perdido, confundido ou mal-entendido. Pois queremos ter a certeza de que a memória que é armazenada é a correta.
Se os adultos fizerem este exercício na sua própria vida quotidiana, descobrem que muitos dos seus problemas terminam, pois entre o que se diz e o que é ouvido, fica imensa informação perdida ou mal-entendida.
Toda a aprendizagem vem de mecanismos de repetição, em todas as crianças, jovens ou adultos. Repetir várias vezes, num ambiente agradável e sem stress potencia esta memorização.

Associar ferramentas é indispensável. Afinal temos um bastão pouco sólido e uns corredores que precisam de ajuda durante a corrida.
As ferramentas serão sempre os pontos fortes dos vossos filhos.
Mnemónicas, mapas mentais, esquemas, tópicos, cores, associações ao dia-a-dia, momentos felizes… tudo ajuda!

O segredo das respostas nos testes…

O segredo das respostas nos testes…

A vida também podia seguir a regra das quatro perguntas chave…

Quem? Onde? Quando e porquê? Quatro perguntas que se podem multiplicar (Como? Com quem? O quê?), transformar e sobretudo facilitar. Que nos ajudem a responder à questão: – são as respostas que estão erradas ou a perguntas?

Já estamos todos fartos de ver respostas erradas, escritas numa folha de teste, quando temos a certeza absoluta do quanto eles se esforçaram, do quanto sabiam em casa quando questionados, mas depois, aquela folha de papel frusta até o ser mais positivo do mundo.

Precisamos de guias de orientação para lidar com as situações, para saber ultrapassar dificuldades e/ou obstáculos e sobretudo para que a informação seja retida.

A construção de frases e/ou textos, requerem que as questões base (quatro ou outro número que vos seja ideal) se tornem mnemónicas perfeitas para que as ideias fiquem sempre ordenadas e retidas, e com isso a mensagem passe sem erros.

Quantas vezes os vemos ficarem perdidos no motivo, no sentido, isolados da mensagem que lhes queremos transmitir. A mensagem fica camuflada com os seus sentimentos e duvidas, deixa de ser clara, ao ponto de ficar totalmente incompreensível. Ficam com cara de paisagem a ver lábios a moverem-se e a pensar no motivo de ali estarem, mas a informação já foi, passou tão depressa que nem o tema principal já sabem, quanto mais esses detalhes minúsculos e muitas vezes sem relação com o seu dia-a-dia.

Se o interlocutor for gentil e atento, pode repetir a informação, mas volta a acontecer o mesmo. E de novo “são as respostas que estão erradas ou a perguntas?”.

É o assunto em si que está desfasado da realidade da criança, os nomes não fazem sentido e a utilidade da informação muito menos. Precisamos enquadrar todos os tópicos, mostrar o seu uso, explicar o significado de cada palavra, traduzir, simplificar, ajudar! Como se criássemos um roteiro. Fácil? Nem de longe!

As quatro perguntas base, podem ser uma ajuda. Se as utilizarmos não só para sabermos como foi o seu dia (sim nós questionamos, ou até mesmo inquerimos!), “Como foi o teu dia? O que almoçaste? Com quem estiveste? Onde foste depois das aulas? E por aí vamos…

Estas perguntas ajudam na construção de frases, organizam ideias, ajudam brilhantemente na construção de textos. Com a rotina criada de resposta às mesmas questões, estamos a permitir que o seu roteiro seja criado. Estabelecendo linhas orientadoras para toda a informação que lhes é transmitida.
Vamos desconstruir todos os temas, respondendo a estas mesmas questões.

Destruindo as torres de dificuldades, em pedaços, blocos de construção que podemos usar em outras construções. Peça a peça, conhecimento em conhecimento.

Experimentem este passo a passo, escrevam a pergunta, escrevam a resposta, criem o vosso roteiro.

Sara Lourenço Gomes – Dislexia Day by Day

Bolsar (regurgitar)  

Bolsar (regurgitar)  

Depois de dar mama ou biberão, levantamos a criança com cuidado, apoiamos no nosso ombro devidamente protegido, e aguardamos que a criança arrote (eructe).

Aguardamos o momento, como se nos fosse dar garantia que ficou satisfeito e que tudo está bem.

Mas por que é que os bebés bolsão?

Simplesmente porque, os esfíncteres esofágicos superior e inferior (que controlam a entrada e a saída dos alimentos) ainda não estão totalmente desenvolvidos a nível de força.

Quando a alimentação é exclusiva a leite, é mais fácil este retorno. Se o bebé está feliz, come bem, dorme bem, aumenta de peso e não tem sinais de dor ou desconforto, se após o bolsar sorri, está tudo bem.

Por outro lado, se o bebé apresenta sintomas de desconforto, chora sem parar, não quer comer, perde peso, está irritado por muito tempo, não dorme bem, apresenta alterações na postura (como curvar-se e/ou arquear-se durante a alimentação ou nas dejeções), as fezes estão alteradas, o bolsar é muito frequente e com uma grande intensidade (jato), devemos de ponderar estar presente refluxo gastroesofágico, que pode trazer ainda mais alterações físicas e ainda mais desconforto.

Não mude o leite, esteja atento aos sinais e sintomas do seu filho e em caso de dúvida, converse com o pediatra e com a equipe.

O refluxo gastroesofágico em bebés pode ser menos comum, mas facilmente confundido com outras situações clínicas, mas nunca deve de ser ignorado.

Sono

Sono

O sono é chave fundamental no crescimento de uma criança. Mas como sabemos se dormem o suficiente? Como tudo o que se passa no desenvolvimento de uma criança, as horas de sono também já foram estudadas e existem números concretos, que nos servem de guia.

Se um recém-nascido pode dormir entre 16-17 horas ao longo do dia, aos três meses já dormirá apenas 15 horas ao longo do dia. Ao um ano de vida já poderá dormir entre 13-14 horas, e entre um ano e os três anos, entre 10-13 horas ao longo do dia.

Falamos sempre entre valores e ao longo do dia, pois um recém-nascido dormirá após cada mamada, e uma criança pequena dormirá a noite de sono e fará alguma sesta ao longo do dia. Depois dos três anos de idade, as sestas ficarão mais curtas ou até inexistentes, mas o sono da noite deverá ser contínuo.

Eles crescem e as horas de sono diminuem, entre os quatro e os cinco anos dorme entre 11-12 horas de sono por noite, entre os seis e os nove entre 10-11, e entre os dez a doze cerca de 10 horas por noite. Depois começa a surgir a adolescência (outro pico de crescimento e desenvolvimento) e não haverá horas suficientes para dormirem!

Mas afinal porque são importantes as horas de sono? Para um bom crescimento, para um desenvolvimento motor, cognitivo e de linguagem, para a aprendizagem não escolar e escolar, para um comportamento equilibrado, para uma boa capacidade de concentração, bom humor, controle da impulsividade e da agressividade.

E quando não dormem?

Vamos à velha frase, quem não gosta de rotinas, são os adultos. As crianças gostam de saber o que vai acontecer, ajuda no seu equilíbrio emocional. Mas também é fundamental no seu desenvolvimento físico e cognitivo.

Hora para dormir, comer, banho, brincar, escola, desenhos animados… Horas marcadas, rotinas agendadas.

Tudo vem com o treino, com a repetição, com a rotina. Preparar o quarto, diminuir a intensidade da luz, diminuir os barulhos, retirar os estímulos eletrónicos, estipular uma sequência para adormecer, uma história, um aconchego, um beijinho de boa noite. Uma sequência que tranquiliza o momento de dormir, cada um na sua cama, e nada de dormir no sofá! Ninguém gosta de ter de entrar numa cama fria, quando já estava tão confortável e quentinho no sofá.

Vamos fazer desta rotina a nossa rotina, afinal não são só as crianças que necessitam de uma boa noite de sono!