Sei que a maioria de vocês só chega até mim quando os nomes estranhos surgem.
A pulga deixou de estar escondida atrás da orelha, diverte-se agora ao nosso colo, na primeira fila de um espetáculo a gritar bem alto.
O medo e o desconforto deixou de estar só na criança, foi estendido a pais, avós e professores.
Quem vos rodeia menospreza a situação, como se estivéssemos todos em histeria coletiva, como se a criança já não tivesse direito a ser só criança.
Entupimos-lhes o horário com consultas e terapias, exames e avaliações, centro de estudo e um sem número de outras atividades.
Queremos tudo resolvido para ontem… mas com o passar dos dias, semanas e meses,vamos todos entendendo que não vai ser assim.
Entregáramo-nos um primeiro prémio de um jogo que não jogamos, que desconhecemos as regras e ainda por cima não aceitam devoluções.
Ao início dizemos em surdina o malfadado nome que vem no relatório, como se fosse vergonhoso… não queremos que os outros saibam com medo que menosprezem os nossos meninos.
Depois… bem depois depende do caminho que cada um escolhe fazer.
As crianças estão dentro do jogo, não conhecem outra realidade. Os pais e os professores têm de escolher, ou jogam na equipe dos terapeutas e são membros ativos, ou serão eternamente espectadores, treinadores de bancada de um jogo desconhecido.
Requerem treino é certo!
Também necessitam de tempo… mas sobretudo precisam de vontade de colaborar.
A solução está em vocês, as regras vão vos ser ensinadas.
Todos juntos podemos contornar os níveis difíceis. Entender que as cartas de mais quatro são chatas, mas ultrapassáveis. Que os proibidos são temporários, que o mudar de cor não faz male, e que todos um dia vamos conseguir gritar mais alto que a pulga, Venci!

Texto escrito para o blog https://dislexiadaybyday.com/








