Como ajudar?

Como ajudar?

Uma das questões que me é colocada com maior frequência é como podem ajudar em casa?

Para além dos trabalhos enviados pela terapeuta (convém fazer, não enviamos por gostarmos de ser más…).

Um método extraordinariamente fácil e ágil que uso em terapia, é o método DOLF (Desenvolvimento Oral, Linguístico e Fonológico).

Criado por duas terapeutas da fala, este método consiste em associar a produção de um som a um gesto.

Auxilia na aprendizagem da fala, linguagem, da leitura e da escrita. Criado a pensar não só na nossa intervenção terapêutica, mas também em pais e educadores. Todos podem usar, todos podem ajudar!

Ou seja o trabalho iniciado na terapia pode ser levado para a sala de aula e para casa.

Dando continuidade ao trabalho feito em gabinete. Com o beneficio de podermos estar a ajudar outras crianças que ainda não foram referenciadas.

Não prejudica ninguém, e certamente ajuda todos, até mesmo os que não apresentam qualquer dificuldade.

Permite aos pais executarem as estratégias ensinadas de forma correta, não levando as crianças a ficarem em dúvida com várias instruções simultâneas.

Se para as crianças é difícil conseguir entender com que letra escreve determinado som, ou perceber o motivo da mesma letra ter mais do que um som, associar um gesto a cada som (fonema) torna tudo mais claro, terminando no registo gráfico sem erros.

Através do uso de estratégias multissensoriais, olhar, ouvir, produzir (fala) juntamente com o gesto, até ao ato de escrever estimula a memória auditiva verbal, a diadococinésia e a nomeação rápida, tarefas linguísticas fundamentais para aprender a ler e escrever.

Todos podem aprender através deste método, pais e professores podem inscrever-se em workshops, do pré-escolar ao primeiro ciclo. E complementarem com manuais, caixa sensorial e cartas de estimulação das primeiras palavras.

A imagem e o vídeo foram gentilmente cedidas pelas autoras do método – DOLF / Lisboa / metodo dolf

Processamento auditivo central e dislexia

Processamento auditivo central e dislexia

“Temos vindo a falar de alterações que podem estar presentes na dislexia.

Hoje trago o Processamento Auditivo Central. 

Audição alterada? Nada disso, uma coisa é o que ouvimos, outra coisa é como processamos o que ouvimos.

O Processamento auditivo é a capacidade de interpretar o que ouvimos, necessitando de localização sonora e lateralização, discriminação auditiva reconhecimento dos aspetos temporais (resolução, mascaramento, integração e/ou ordenação), discriminação dos sons em ambientes acústicos pouco favoráveis

Pensemos no processamento auditivo como um prédio com elevador! Deste a porta do prédio (o pavilhão auricular) até ao piso mais alto (córtex auditivo).

O hall do prédio é responsável por receber os sons e conduzi-los ao elevador.

Este elevador acede aos vários pisos, o som é transformado em impulso elétrico e à medida que subimos vamos aumentando o grau de complexidade do processamento. Mas como em tudo na vida, para tudo correr bem necessitamos que tudo funcione desde a base, das tarefas mais simples às mais complexas.

Primeiramente temos de ser capazes de detectar, estar atentos auditivamente a um som, ou até mesmo a um silêncio.

Depois, temos de ser capazes de discriminar  as características dos sons (tempo, amplitude e o tipo de som), isto é o que permite detetar as diferenças nos fonemas, a prosódia de quem fala connosco.

Em seguida, necessitamos conseguir localizar, saber de onde vem a fonte sonora, para conseguirmos realizar a interação binaural (ser capazes de saber de onde vem o som, quando temos mais barulho, como nas salas de aula).

O reconhecimento é o passo seguinte, através dele conseguimos saber que som era, como era, com que intensidade, duração e frequência, aquele som apareceu.

Já a compreensão do que ouvimos, permite reconhecer e compreender o som, com ou sem ruído, permite prestar atenção (seletiva) quando existe distratores sonoros, como quando tentamos conversar no meio de um refeitório cheio de outros ruídos.

A integração da informação auditiva, permite integrar com outros sentidos, fazer a associação auditiva-visual, entre outras.

E a magnífica memória, que para além de armazenar informação, também consegue recuperar estímulos, capacidades, saber a duração e a sequência de um padrão sonoro.

Mas a memória e atenção, são a base de todas as habilidades auditivas, ou seja, mesmo quando a alteração no processamento auditivo central é num piso inferior, trabalhamos sempre a memória e atenção!

Se, se lembrarem do texto anterior dos vários tipos de atenção, conseguem entender a complexidade do tema.

Mas será que todas as crianças disléxicas têm alteração no processamento auditivo central?

Não! Mas o exame de processamento auditivo central deve ser feito em caso de dúvida.

Procurar um audiologista é uma das etapas na intervenção com dislexia, e depois de testes feitos, realizar terapia da fala com treino em processamento auditivo.

Quanto mais específica for a intervenção, mais assertiva é a ajuda!

Texto escrito pela Terapeuta da Fala Sara Lourenço Gomes para o projeto @dislexiadaybyday, publicado no blog Dislexiadaybyday.