Joga connosco

Joga connosco

Sei que a maioria de vocês só chega até mim quando os nomes estranhos surgem.

A pulga deixou de estar escondida atrás da orelha, diverte-se agora ao nosso colo, na primeira fila de um espetáculo a gritar bem alto.

O medo e o desconforto deixou de estar só na criança, foi estendido a pais, avós e professores.

Quem vos rodeia menospreza a situação, como se estivéssemos todos em histeria coletiva, como se a criança já não tivesse direito a ser só criança.

Entupimos-lhes o horário com consultas e terapias, exames e avaliações, centro de estudo e um sem número de outras atividades.

Queremos tudo resolvido para ontem… mas com o passar dos dias, semanas e meses,vamos todos entendendo que não vai ser assim.

Entregáramo-nos um primeiro prémio de um jogo que não jogamos, que desconhecemos as regras e ainda por cima não aceitam devoluções.

Ao início dizemos em surdina o malfadado nome que vem no relatório, como se fosse vergonhoso… não queremos que os outros saibam com medo que menosprezem os nossos meninos.

Depois… bem depois depende do caminho que cada um escolhe fazer.

As crianças estão dentro do jogo, não conhecem outra realidade. Os pais e os professores têm de escolher, ou jogam na equipe dos terapeutas e são membros ativos, ou serão eternamente espectadores, treinadores de bancada de um jogo desconhecido.

Requerem treino é certo!

Também necessitam de tempo… mas sobretudo precisam de vontade de colaborar.

A solução está em vocês, as regras vão vos ser ensinadas.

Todos juntos podemos contornar os níveis difíceis. Entender que as cartas de mais quatro são chatas, mas ultrapassáveis. Que os proibidos são temporários, que o mudar de cor não faz male, e que todos um dia vamos conseguir gritar mais alto que a pulga, Venci!

Texto escrito para o blog https://dislexiadaybyday.com/

Amigos da Fada dos dentes

Amigos da Fada dos dentes

Ser amigo da fada dos dentes, não é só entregar-lhe os dentinhos quando caem.

Ser amigo da fada, implica estimar e cuidar!

Para estimar e cuidar estes dentes, necessitamos de saber quem eles são, quando aparecem e o que podemos fazer para os ajudar.

Os dentes começam a ser desenvolvidos embriologicamente desde o 4º mês fetal, ainda não temos nome para a criança, ou nem sabemos os seu género, mas já sabemos que os dentes estão embriologicamente a ser desenvolvidos.

Pós nascença as erupções são feitas sequencialmente, e um padrão normal de desenvolvimento é feito com o aparecimento primeiro dos incisivos centrais superiores e inferiores (6-10 meses; 5-8 meses respetivamente), depois aparecem os caninos (16 – 20 meses), os primeiros molares (11 -8 meses) e por fim os segundos molares (20 – 30 meses).

Esta ordem de nascimento de dentes está coordenada com a habilidade que a criança vai desenvolver de alimentação. O seu padrão de mastigação é desenvolvido desde amamentação. Os mecanismos de extração do leite materno, permitem à criança desenvolver os movimentos da mandíbula, primeiramente movimentos verticais, depois laterais e só por fim aparecem os movimentos bilaterais que implicam o vedamento labial. Todos estes passos permitem estimular o crescimento ósseo e muscular. Permitindo a transição alimentar destes pequenos!

Mas para que tudo corra bem com estes novos amigos, necessitamos de ajudar a criança. Como? Treinando a escovagem desde cedo. Escovar ainda sem dentes estimulando a gengiva, adaptado a criança ao ato normal de escovagem, dessensibilizando a estrutura intraoral, diminuindo o reflexo de vómito e fazendo tudo isto também por imitação.

Imitação? Sim, a maioria das crianças não escovam os dentes, chupam a escova, mastigam as cerdas. É necessário mostrar e realizar os movimentos de rotação da escova. A criança executa e os pais também. A escovagem dos dentes não pode ser completamente delegada à criança.

Para cuidar bem destes dentinhos, necessitamos de mastigar bem, e isso implica que a textura dos alimentos não se fique por alimentos moles e líquidos. Bebeu o último leito da noite, escovou os dentes.

Levar a criança à Odontopediatria é necessário, evitar recorrer apenas em causa de trauma. Crianças sem medo e colaborantes são necessárias em caso de intervenção.

Temos também de lavar bem os dentes, utilizar uma escova e uma pasta dentífrica adequada à idade. As pastas dentífricas estão carregadas de bonecada que permite à criança identificar-se com o produto, mas o que realmente importa é o que o rótulo diz. Pastas de dentes para crianças devem de ter entre 1000 a 1500 ppm de flúor, para isso devemos sempre consultar o rótulo. A quantidade também tem de ser adaptada, do primeiro dente aos três anos, um bago de arroz de pasta dentífrica, dos três aos seis uma ervilha pequena.

Evitar o uso de chucha sistematicamente, os dentes e o restante interior da boca agradecem!

Vamos ser todos amigos da fada dos dentes?