Como ajudar?

Como ajudar?

Uma das questões que me é colocada com maior frequência é como podem ajudar em casa?

Para além dos trabalhos enviados pela terapeuta (convém fazer, não enviamos por gostarmos de ser más…).

Um método extraordinariamente fácil e ágil que uso em terapia, é o método DOLF (Desenvolvimento Oral, Linguístico e Fonológico).

Criado por duas terapeutas da fala, este método consiste em associar a produção de um som a um gesto.

Auxilia na aprendizagem da fala, linguagem, da leitura e da escrita. Criado a pensar não só na nossa intervenção terapêutica, mas também em pais e educadores. Todos podem usar, todos podem ajudar!

Ou seja o trabalho iniciado na terapia pode ser levado para a sala de aula e para casa.

Dando continuidade ao trabalho feito em gabinete. Com o beneficio de podermos estar a ajudar outras crianças que ainda não foram referenciadas.

Não prejudica ninguém, e certamente ajuda todos, até mesmo os que não apresentam qualquer dificuldade.

Permite aos pais executarem as estratégias ensinadas de forma correta, não levando as crianças a ficarem em dúvida com várias instruções simultâneas.

Se para as crianças é difícil conseguir entender com que letra escreve determinado som, ou perceber o motivo da mesma letra ter mais do que um som, associar um gesto a cada som (fonema) torna tudo mais claro, terminando no registo gráfico sem erros.

Através do uso de estratégias multissensoriais, olhar, ouvir, produzir (fala) juntamente com o gesto, até ao ato de escrever estimula a memória auditiva verbal, a diadococinésia e a nomeação rápida, tarefas linguísticas fundamentais para aprender a ler e escrever.

Todos podem aprender através deste método, pais e professores podem inscrever-se em workshops, do pré-escolar ao primeiro ciclo. E complementarem com manuais, caixa sensorial e cartas de estimulação das primeiras palavras.

A imagem e o vídeo foram gentilmente cedidas pelas autoras do método – DOLF / Lisboa / metodo dolf

Amigos da Fada dos dentes

Amigos da Fada dos dentes

Ser amigo da fada dos dentes, não é só entregar-lhe os dentinhos quando caem.

Ser amigo da fada, implica estimar e cuidar!

Para estimar e cuidar estes dentes, necessitamos de saber quem eles são, quando aparecem e o que podemos fazer para os ajudar.

Os dentes começam a ser desenvolvidos embriologicamente desde o 4º mês fetal, ainda não temos nome para a criança, ou nem sabemos os seu género, mas já sabemos que os dentes estão embriologicamente a ser desenvolvidos.

Pós nascença as erupções são feitas sequencialmente, e um padrão normal de desenvolvimento é feito com o aparecimento primeiro dos incisivos centrais superiores e inferiores (6-10 meses; 5-8 meses respetivamente), depois aparecem os caninos (16 – 20 meses), os primeiros molares (11 -8 meses) e por fim os segundos molares (20 – 30 meses).

Esta ordem de nascimento de dentes está coordenada com a habilidade que a criança vai desenvolver de alimentação. O seu padrão de mastigação é desenvolvido desde amamentação. Os mecanismos de extração do leite materno, permitem à criança desenvolver os movimentos da mandíbula, primeiramente movimentos verticais, depois laterais e só por fim aparecem os movimentos bilaterais que implicam o vedamento labial. Todos estes passos permitem estimular o crescimento ósseo e muscular. Permitindo a transição alimentar destes pequenos!

Mas para que tudo corra bem com estes novos amigos, necessitamos de ajudar a criança. Como? Treinando a escovagem desde cedo. Escovar ainda sem dentes estimulando a gengiva, adaptado a criança ao ato normal de escovagem, dessensibilizando a estrutura intraoral, diminuindo o reflexo de vómito e fazendo tudo isto também por imitação.

Imitação? Sim, a maioria das crianças não escovam os dentes, chupam a escova, mastigam as cerdas. É necessário mostrar e realizar os movimentos de rotação da escova. A criança executa e os pais também. A escovagem dos dentes não pode ser completamente delegada à criança.

Para cuidar bem destes dentinhos, necessitamos de mastigar bem, e isso implica que a textura dos alimentos não se fique por alimentos moles e líquidos. Bebeu o último leito da noite, escovou os dentes.

Levar a criança à Odontopediatria é necessário, evitar recorrer apenas em causa de trauma. Crianças sem medo e colaborantes são necessárias em caso de intervenção.

Temos também de lavar bem os dentes, utilizar uma escova e uma pasta dentífrica adequada à idade. As pastas dentífricas estão carregadas de bonecada que permite à criança identificar-se com o produto, mas o que realmente importa é o que o rótulo diz. Pastas de dentes para crianças devem de ter entre 1000 a 1500 ppm de flúor, para isso devemos sempre consultar o rótulo. A quantidade também tem de ser adaptada, do primeiro dente aos três anos, um bago de arroz de pasta dentífrica, dos três aos seis uma ervilha pequena.

Evitar o uso de chucha sistematicamente, os dentes e o restante interior da boca agradecem!

Vamos ser todos amigos da fada dos dentes?

Processamento auditivo central e dislexia

Processamento auditivo central e dislexia

“Temos vindo a falar de alterações que podem estar presentes na dislexia.

Hoje trago o Processamento Auditivo Central. 

Audição alterada? Nada disso, uma coisa é o que ouvimos, outra coisa é como processamos o que ouvimos.

O Processamento auditivo é a capacidade de interpretar o que ouvimos, necessitando de localização sonora e lateralização, discriminação auditiva reconhecimento dos aspetos temporais (resolução, mascaramento, integração e/ou ordenação), discriminação dos sons em ambientes acústicos pouco favoráveis

Pensemos no processamento auditivo como um prédio com elevador! Deste a porta do prédio (o pavilhão auricular) até ao piso mais alto (córtex auditivo).

O hall do prédio é responsável por receber os sons e conduzi-los ao elevador.

Este elevador acede aos vários pisos, o som é transformado em impulso elétrico e à medida que subimos vamos aumentando o grau de complexidade do processamento. Mas como em tudo na vida, para tudo correr bem necessitamos que tudo funcione desde a base, das tarefas mais simples às mais complexas.

Primeiramente temos de ser capazes de detectar, estar atentos auditivamente a um som, ou até mesmo a um silêncio.

Depois, temos de ser capazes de discriminar  as características dos sons (tempo, amplitude e o tipo de som), isto é o que permite detetar as diferenças nos fonemas, a prosódia de quem fala connosco.

Em seguida, necessitamos conseguir localizar, saber de onde vem a fonte sonora, para conseguirmos realizar a interação binaural (ser capazes de saber de onde vem o som, quando temos mais barulho, como nas salas de aula).

O reconhecimento é o passo seguinte, através dele conseguimos saber que som era, como era, com que intensidade, duração e frequência, aquele som apareceu.

Já a compreensão do que ouvimos, permite reconhecer e compreender o som, com ou sem ruído, permite prestar atenção (seletiva) quando existe distratores sonoros, como quando tentamos conversar no meio de um refeitório cheio de outros ruídos.

A integração da informação auditiva, permite integrar com outros sentidos, fazer a associação auditiva-visual, entre outras.

E a magnífica memória, que para além de armazenar informação, também consegue recuperar estímulos, capacidades, saber a duração e a sequência de um padrão sonoro.

Mas a memória e atenção, são a base de todas as habilidades auditivas, ou seja, mesmo quando a alteração no processamento auditivo central é num piso inferior, trabalhamos sempre a memória e atenção!

Se, se lembrarem do texto anterior dos vários tipos de atenção, conseguem entender a complexidade do tema.

Mas será que todas as crianças disléxicas têm alteração no processamento auditivo central?

Não! Mas o exame de processamento auditivo central deve ser feito em caso de dúvida.

Procurar um audiologista é uma das etapas na intervenção com dislexia, e depois de testes feitos, realizar terapia da fala com treino em processamento auditivo.

Quanto mais específica for a intervenção, mais assertiva é a ajuda!

Texto escrito pela Terapeuta da Fala Sara Lourenço Gomes para o projeto @dislexiadaybyday, publicado no blog Dislexiadaybyday.

Bolsar (regurgitar)  

Bolsar (regurgitar)  

Depois de dar mama ou biberão, levantamos a criança com cuidado, apoiamos no nosso ombro devidamente protegido, e aguardamos que a criança arrote (eructe).

Aguardamos o momento, como se nos fosse dar garantia que ficou satisfeito e que tudo está bem.

Mas por que é que os bebés bolsão?

Simplesmente porque, os esfíncteres esofágicos superior e inferior (que controlam a entrada e a saída dos alimentos) ainda não estão totalmente desenvolvidos a nível de força.

Quando a alimentação é exclusiva a leite, é mais fácil este retorno. Se o bebé está feliz, come bem, dorme bem, aumenta de peso e não tem sinais de dor ou desconforto, se após o bolsar sorri, está tudo bem.

Por outro lado, se o bebé apresenta sintomas de desconforto, chora sem parar, não quer comer, perde peso, está irritado por muito tempo, não dorme bem, apresenta alterações na postura (como curvar-se e/ou arquear-se durante a alimentação ou nas dejeções), as fezes estão alteradas, o bolsar é muito frequente e com uma grande intensidade (jato), devemos de ponderar estar presente refluxo gastroesofágico, que pode trazer ainda mais alterações físicas e ainda mais desconforto.

Não mude o leite, esteja atento aos sinais e sintomas do seu filho e em caso de dúvida, converse com o pediatra e com a equipe.

O refluxo gastroesofágico em bebés pode ser menos comum, mas facilmente confundido com outras situações clínicas, mas nunca deve de ser ignorado.

Sono

Sono

O sono é chave fundamental no crescimento de uma criança. Mas como sabemos se dormem o suficiente? Como tudo o que se passa no desenvolvimento de uma criança, as horas de sono também já foram estudadas e existem números concretos, que nos servem de guia.

Se um recém-nascido pode dormir entre 16-17 horas ao longo do dia, aos três meses já dormirá apenas 15 horas ao longo do dia. Ao um ano de vida já poderá dormir entre 13-14 horas, e entre um ano e os três anos, entre 10-13 horas ao longo do dia.

Falamos sempre entre valores e ao longo do dia, pois um recém-nascido dormirá após cada mamada, e uma criança pequena dormirá a noite de sono e fará alguma sesta ao longo do dia. Depois dos três anos de idade, as sestas ficarão mais curtas ou até inexistentes, mas o sono da noite deverá ser contínuo.

Eles crescem e as horas de sono diminuem, entre os quatro e os cinco anos dorme entre 11-12 horas de sono por noite, entre os seis e os nove entre 10-11, e entre os dez a doze cerca de 10 horas por noite. Depois começa a surgir a adolescência (outro pico de crescimento e desenvolvimento) e não haverá horas suficientes para dormirem!

Mas afinal porque são importantes as horas de sono? Para um bom crescimento, para um desenvolvimento motor, cognitivo e de linguagem, para a aprendizagem não escolar e escolar, para um comportamento equilibrado, para uma boa capacidade de concentração, bom humor, controle da impulsividade e da agressividade.

E quando não dormem?

Vamos à velha frase, quem não gosta de rotinas, são os adultos. As crianças gostam de saber o que vai acontecer, ajuda no seu equilíbrio emocional. Mas também é fundamental no seu desenvolvimento físico e cognitivo.

Hora para dormir, comer, banho, brincar, escola, desenhos animados… Horas marcadas, rotinas agendadas.

Tudo vem com o treino, com a repetição, com a rotina. Preparar o quarto, diminuir a intensidade da luz, diminuir os barulhos, retirar os estímulos eletrónicos, estipular uma sequência para adormecer, uma história, um aconchego, um beijinho de boa noite. Uma sequência que tranquiliza o momento de dormir, cada um na sua cama, e nada de dormir no sofá! Ninguém gosta de ter de entrar numa cama fria, quando já estava tão confortável e quentinho no sofá.

Vamos fazer desta rotina a nossa rotina, afinal não são só as crianças que necessitam de uma boa noite de sono!